
Finalmente o silêncio. Constrangedor, incómodo para a maioria. Para mim, que cresci no seu embalar, cobertor quente e macio que me protege.
Bastas vezes me remeto ao silêncio. Neste meio, onde isso é fácil, mas também no dia a dia, quando desligo a ficha que me liga ao mundo e viajo para o interior de mim mesmo. Passo pelas pessoas e não as vejo, falam-me e não as ouço. Desse meu estado dizem estar no mundo da lua. Mas não, estou com os pés bem assentes na terra. E sabe-me bem estar assim, nesse casulo onde tempo e espaço cristalizam.
Mas adiante. Por meses este espaço foi visitado por conhecidos e desconhecidos, com palavras de apreço e incentivo. Nunca uma crítica, uma sugestão. E porque sei que não sou perfeito, cansei-me. Que raio, tantas palavras, tantas ideias, e nem sequer um olhar de soslaio, um franzir de sobrancelha???
Que prazenteira contemplação de umbigo! Que monotonia!!! Como dizia o Nicholson "não há pachorra!".
Fui fazer coisas mais úteis. Tornei-me vice-presidente de uma Associação que trabalha com jovens, dou formação de informática a gente mais velha do que eu, continuei com os meus passeios pedestres e subi a montanha mais alta de Portugal, continuei a passar para o papel as minhas ideias.
E agora tenho gente que discute comigo, que questiona o que penso e faço, que me espicaça e me faz ser melhor.
Porque como li algures, às vezes, um pontapé no rabo leva-nos mais longe do que muitas palmadinhas nas costas.