Como acabou a estória? A família da senhora enganada pôs o meu bisavô na mira das escopetas e acabou por ser o meu tio-avô Manuel a ter que casar com a donzela enganada para resgatar a honra da família sem derramamento de sangue. A Ti Maria e o Ti Custódio? Regressaram ambos a casa nesse mesmo dia e nunca mais o meu bisavô percorreu as rotas da transumância.
Tem gente que chega para ficar, tem gente que vai para nunca mais, tem gente que vem e quer ficar, tem gente que vai e quer voltar, tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar. E assim, chegar e partir, são só dois lados da mesma viagem. (Fernando Brant)
quinta-feira, 20 de outubro de 2005
Deambulâncias II - Rotas de Transumância
Como acabou a estória? A família da senhora enganada pôs o meu bisavô na mira das escopetas e acabou por ser o meu tio-avô Manuel a ter que casar com a donzela enganada para resgatar a honra da família sem derramamento de sangue. A Ti Maria e o Ti Custódio? Regressaram ambos a casa nesse mesmo dia e nunca mais o meu bisavô percorreu as rotas da transumância.
terça-feira, 18 de outubro de 2005
Deambulâncias - I
Frecha da Mizarela (a maior queda de água de Portugal) - Serra da Freita - Arouca
Os dias continuam a passar lentos, só que agora se recolhe mais cedo o sol e a chuva finalmente cai.
Este apararente abandono das lides bloguistas já me mereceu uns puxões de orelhas de alguns dos meus amigos ("- Isso é maneira de tratar um Blog?" - dizia-me o Carlos Gil). Têm razão amigos, carradas, paletes de razão.
Mas senti a necessidade de parar por uns tempos, não só a minha actividade no blog, mas também a minha participação noutros meios virtuais. Saturei-me de hipocrisia, banhei-me nela dias a fio, num incessante rodopiar de palmadinhas nas costas seguidas da proverbial punhalada, discussões fúteis, conversas sérias cedo envenenadas por cegueiras extremistas a bescambar para o insulto pessoal.
Sinceramente, FARTEI-ME! E como sempre ouvi dizer que "quem não está bem que se mude" foi exactamente o que fiz: afastei-me.
Não deixei de escrever, de retratar o que vejo e sinto. Não, apenas deixei de o fazer no teclado e voltei ao lápis e papel.
E fui fazer o que mais gosto: calcorrear as serras e planícies deste meu país, subir uma montanha apenas porque ela lá está, sentar-me no cume e encher os olhos de beleza e tranquilidade, percorrer o leito seco de um ribeiro, deitar-me na areia quente e não ouvir vozes de gente nem roncar de máquinas.
Acordar o meu filho às 07.00, pegar nas mochilas e no farnel e passar umas horas pendurado num penhasco a ver o soberano voo dos grifos.
Dessas deambulâncias ficaram fotografias e escritos. Por aí recomeço. De alma lavada.
fotos: josé carlos

