Mala de Porão
Tem gente que chega para ficar, tem gente que vai para nunca mais, tem gente que vem e quer ficar, tem gente que vai e quer voltar, tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar. E assim, chegar e partir, são só dois lados da mesma viagem...
Domingo, Novembro 23, 2008
Sexta-feira, Novembro 21, 2008
O ovo da C+S Cristóvão Colombo
Cá na terra...havia um jornal.
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
Mais do mesmo, ou o eterno ladrar dos cães às caravanas que passam
Perdoem-me o regresso, após algum tempo de ausência, com um assunto tão árido mas que ao mesmo tempo me é tão caro: a análise do peso, ou a falta dele, dos valores da abstenção e dos votos em branco nos resultados das eleições. E volto à carga na sequência da divulgação dos resultados da eleição para a Assembleia Legislativa dos Açores e do consequente desfraldar de bandeiras por parte do partido vencedor, no caso vertente o Partido Socialista, com maioria absoluta, seguido dos costumeiros tonitruantes discursos de vitória. Ainda o escrutínio das urnas não estava encerrado e já José Sócrates, Secretário-Geral do PS, tecia loas a uma "grande e expressiva vitória", a "consagração de uma carreira política e de uma governação que orgulha todos os socialistas portugueses", considerando que «estas são as primeiras de uma série de eleições que se vão disputar no país". Por seu lado, e segundo notícia da Agência Lusa, Carlos César, líder do PS/Açores, afirmou que "vencer com maioria absoluta, vencer com cerca de 20 pontos de vantagem para o segundo partido mais votado é, em qualquer região e em qualquer país, uma grande vitória". Carlos César referiu-se, também, à abstenção - que atingiu o recorde de 53,2 por cento - para dizer que estes valores não se justificam apenas pela desactualização dos cadernos eleitorais. "A abstenção foi elevada e houve uma quebra significativa de mobilização e de motivação nestas eleições em virtude da presunção de vitória que havia à volta do PS", afirmou. Os partidos com mais votos têm menos responsabilidades na abstenção, alegou Carlos César, para quem, o que conta, em democracia, "são as pessoas que votam em dia de eleições". Remeter parte da responsabilidade da elevada taxa de abstenção para a desactualização dos cadernos eleitorais, factor que se me afigura largamente exagerado, ao serviço de propósitos bem claros, ou para a presunção de vitória do PS, que teria afastado as pessoas das urnas, soa-me a desculpa de mau pagador. E dizer que, em democracia, o que conta são as pessoas que votam, parece-me ser uma flagrante falta de sentido de Estado e de honestidade política. Não sei ainda o que vai ser dito e escrito sobre esta frase infeliz, mas quanta tinta não correria se os professores viessem dizer que apenas os alunos com notas positivas contam, ou os médicos afirmarem o mesmo em relação aos doentes com hipóteses de sobreviver. É que para mim, a frase proferida por Carlos César e as que no campo das hipóteses absurdas aqui sugeri, estão num mesmo plano. Passamos desde hoje, na douta opinião de Carlos César, a ter cidadãos de primeira e de segunda: os que votam e os que o não fazem. Passando para o plano nacional, se analisarmos a taxa de abstenção em eleições legislativas desde 1975, veremos um crescente e preocupante crescimento da mesma, com a série negra a ser interrompida, aqui e ali, por razões conjunturais (o caso das eleições de 1980 e 2005):
% | ANO | % | ANO | % | |
1975 | 8,34 | 1983 | 22,21 | 1995 | 33,70 |
1976 | 16,47 | 1985 | 25,84 | 1999 | 38,91 |
1979 | 17,13 | 1987 | 28,43 | 2002 | 38,52 |
1980 | 16,06 | 1991 | 32,22 | 2005 | 35,74 |
O que me leva a outra questão: qual é a legitimidade do poder resultante de uma eleição em que mais de metade dos eleitores se demite do seu dever de votar? E não falo da legitimidade legal, mais do que garantida por um bloco central que se perpetua em conveniente e conivente alternância, sem alterar uma Lei Eleitoral obsoleta, que não serve os interesses do povo português, mas se ajusta como uma luva aos comezinhos interesses partidários. Falo de legitimidade moral e ética, falo de, por uma vez, um político ter vergonha na cara e assumir que o modelo eleitoral ora vigente está caduco e que o povo português já não acredita neste nem nos Partidos da nossa praça, dar a mão à palmatória e reconhecer que a sua mensagem política não chegou aos eleitores, aceitando como sua parte da culpa deste descalabro, em vez de enterrar a cabeça na areia e fazer de conta, num eterno Alice no País das Maravilhas.
Permitam-me que termine este alinhavo dizendo que o mesmo não é um libelo acusatório contra o PS em geral ou contra Carlos César em particular: por outras bocas, de outros partidos, já antes ouvimos, e ouviremos no futuro, dislates de igual teor e o mesmo ladrar dos cães enquanto a caravana passa.
Quarta-feira, Julho 23, 2008
3 pensamentos 3
Pensamento 1 - Estamos a transformar-nos num país de merda, na inversa medida em que nos tornamos cada vez mais assépticos. Curiosa contradição esta, em que o perfumado sabonete do politicamente correcto se transmuta, por estranha e misteriosa alquimia, em fecais e mal-cheirosas atitudes, sempre precedidas de copiosa diarreia mental! O país, que se dizia de bravos, vai-se transformando numa massa acéfala e ovinamente obediente, porém muito polidinha e bem educadinha, que acha mal dizer preto, gordo, anão, deficiente, pobre, doido, velho, mulher a dias, contínuo, mentira (pérola de um dos deputados de cú que pululam no, cada vez menos, nosso parlamento, cujo nome não recordo, mas cuja tirada não esqueço, referindo-se às afirmações de um seu par: "- O que o Sr. acaba de dizer é uma inverdade!"), et coetera ad nauseum. Prefere-se a forma ao conteúdo, o supérfluo ao essencial, o artifício à realidade. Os bois chamam-se pelos nomes!
Pensamento 2 - Que dívida tem este país para com Angola? Moral ou de outro tipo? Os meus tacanhos dois neurónios, não conseguem entender porque que raio sucessivos governos, tanto da pseudo-esquerda como da dita direita, servilmente baixam a calcinha e oferecem a nádega, apenas o pessoal do Palácio da Cidade Alta levanta o sobrolho. Se se trata de um serôdio complexo de culpa, que eu não partilho nem tomo como minha dor, que nunca em nada prejudiquei ou explorei angolano algum, estamos perante um grave equívoco histórico. Porque não vaiar os Alemães na rua porque um dia foram governados por Adolf Hitler, apupar os Russos por causa do Stalin ou apedrejar os Muçulmanos por conta dos crimes de Bin Laden? E já agora, que singular precisão cirúrgica é esta, que não tem o mesmo tipo de complexo em relação a Moçambique, Cabo Verbe, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor? As actuais gerações, na minha modesta e certamente, na opinião de alguns, errada convicção, não devem nada a porcaria de governo de país nenhum, muito menos quando esses governos são corruptos e continuam a oprimir e a explorar os seus próprios povos, mantendo-os num degradante estado de sub-desenvolvimento, enquanto vivem vidas de nababo.
Pensamento 3 - Se eu tivesse assentado arraiais frente ao edifício da Câmara Municipal de Loures, estou certo que na manhã seguinte, ou se calhar nesse próprio dia, seria expulso do local, sem apelo nem agravo, e não seria nem parangona de jornal nem notícia de abertura de pasquim televisivo. Mas o pessoal que por lá acampou é cigano. E expulsar ciganos, ou pretos (pretos sim, e não essa treta do politicamente correcto, negros! Pretos do mesmo modo que eu sou branco. Já agora, e para que conste, ofende-me que, com este bronzeado alentejano, me tratem assim, porque dá a ideia que estou tuberculoso ou subnutrido) ou homossexuais, ou toxicodependentes, ou alcoólicos, ou deficientes ou seja lá que grupo minoritário for, é nos primeiros casos racismo, e nos últimos discriminação! Mas como sou da maioria branca, tenho as costas largas e sou pau para toda a colher: é comer, pagar e calar! Quem me conhece sabe que não sou nem racista nem homofóbico nem anti seja que grupo minoritário for. Mas não me lixem: diz a Constituição desta República, em vias de se transformar em fértil bananal, que ninguém pode ser discriminado, não diz que as minorias estão isentas do cumprimento da Lei e da mão, supostamente longa, da mesma. Vemos em todos os Tribunais, um dos Órgãos de Soberania que a dita Constituição consagra, uma frase em Latim - "Dura Lex, Sed Lex" - e uma imagem alegórica - uma figura feminina, de olhos vendados, que numa mão segura uma balança e na outra uma espada. A Lei será durá, mas é a Lei, tem que ser cumprida, e a Justiça, cega, pesa as acções e administra o castigo. Mas por estes dias, a Lei vai sendo adaptada às conveniências e a Justiça já espreita por debaixo da venda, para se necessário viciar a balança e embainhar a espada.
Segunda-feira, Julho 14, 2008
Dúvidas...
Sexta-feira, Julho 11, 2008
Quinta-feira, Julho 03, 2008
Há pessoas e Pessoa


